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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Familia vs Homossexualidade #1


 A família é sem dúvida alguma o nosso primeiro contato com o mundo e o contexto de nossa construção como um ser diante a sociedade. É com os familiares que aprendemos e constituímos nossa personalidade, através de valores e crenças que são passados de pai para filho geração após geração. São aquelas pessoas, não necessariamente pai, mãe, irmã ou irmão, que te educaram, ensinaram a andar e a falar, deram carinho e amor para que assim você pudesse crescer saudável.

E talvez por isso muitos homossexuais tenham medo de se assumir, pois teriam que, não apenas se assumir diante a sociedade, mas também para os familiares que muitas vezes não sabem como lidar com o preconceito e julgam, em sua maioria, a homossexualidade como uma doença, o que de fato não é.

Ou seja, se já não bastasse todo aquele turbilhão de duvidas em que você se encontra por ter se descoberto lésbica ou gay, ainda há aquela dúvida de contar ou não contar para os pais.

Assumir-se lésbica ou gay não é simples. Porque você vai contra o principal paradigma instituído pela sociedade. Vai contra o que é convencional. Você passa a ser visto como alguém diferente, do contrário ao que supostamente é o normal e natural e é tratado como um estranho aos olhos do mundo.

E nesse momento o lugar em que nós queremos ser aceitos é dentro de casa. É onde gostaríamos de encontrar apoio, respeito, amor, compreensão e principalmente aceitação. Queremos ser aceitos como somos, independente da nossa escolha sexual, pelas pessoas que mais amamos. 



Os pais quando descobrem que tem um filho gay ou uma filha lésbica tendem a achar que isso é um erro e que há concerto. Fecham-se com o medo do desconhecido. Todo aquele sonho que tinham de ver os filhos crescendo, formando, casando, gerando e criando os seus filhos e assim dando continuidade aos genes da família é perdido. Além disso, ainda existe o medo de que o filho homossexual não seja aceito pela sociedade e assim não conquiste o espaço que merece.

Então como lidar com essa situação? Como resolver esse dilema?

É um momento muito delicado o de se assumir para a família. Porque assim como já foi dito a reação deles nem sempre é aquela que esperamos e gostaríamos de presenciar. Mas isso também não quer dizer que é um bicho de sete cabeças, que você nunca vai conseguir conciliar sua homossexualidade com o “ter” e “ser” uma família. O primeiro passo é descobrir se você está pronto, preparado para levar sua homossexualidade diante os seus pais. E o momento certo? Só você poderá dizer, afinal você se conhece melhor do que ninguém. E se assim não o for, sugiro que tire um tempo para passar só com você e descobrir quem é essa pessoa diante você no espelho. É essencial, sendo ou não, homossexual termos essa intimidade com nós mesmos.

Apesar de não ser algo errado, sua opção sexual, o mais sensato a se fazer é manter a calma com a reação da família. Não adianta revoltar-se e querer que o mundo todo entenda o que você está passando. Por mais que seja um absurdo, em minha opinião, nos dias de hoje nós ainda sermos vistos como “doentes”. Lembre você está dizendo aos seus familiares que optou por um caminho diferente daquele que esperavam, um caminho muitas vezes que eles nem conheçam. É um tanto natural eles se sentirem perdidos, não saberem como reagir, negarem o fato e ou até mesmo usar como defesa um certo autoritarismo. Meninas, quando digo natural não estou dizendo que é assim que deva ser. Apenas tentando mostrar a vocês que não devemos também julgar a mão de ferro a reação dos nossos pais.  

O dialogo é essencial. Infelizmente hoje vivemos na era do individualismo, da solidão. Mas o conceito de família não se encaixa nessas características. É fácil falar, mas difícil fazer. Eu sou prova viva disso xinelas, mas um erro cometido não quer dizer que sempre será assim. Se você não consegue achar o momento, se não acha espaço para isso, novamente paciência. Talvez procurar ajuda de alguém que seja especialista seja o melhor a ser feito.

E ressaltando, ser homossexual não é doença. Não pensem que vocês são o erro da questão. Não pensem que o motivo das coisas não andarem bem é porque você fez uma escolha precipitada e sem razão. Amar alguém do mesmo sexo que o seu é mais uma forma de demonstrar que você é ser vivo, e pratica o verbo do amar. Ser diferente do convencional, não faz de você alguém que pratica algo que é um absurdo ou um pecado. Só quem ama realmente entende que para o amor não há limites, não há explicações, não há razões. Apenas amamos.

Devemos passar a tratar a homossexualidade como algo normal. E não como um tema especial, exclusivo e cheio de cuidados. Afinal de contas somos iguais a todos certo? Não há motivo de alarmes etc.

O tema família VS homossexualidade gera muitas perguntas e muitas dúvidas. Por isso não caberia discutir o mesmo em apenas um post. Aqui inicio uma parte do que está relacionado ao tema. E para que haja continuação precisamos e contamos com a ajuda de vocês, xinelonas lindérrimas que nos acompanham diariamente.

O que vocês acham? Qual a opinião de vocês em relação a família e ser homossexual?

Espero que tenha sido do agrado de vocês xinelas :D
Beijos e até a proxima.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Profissional - e homossexual

Sim, xinelonas também falam sério sobre temas relevantes. Sou totalmente a favor de levar a vida de forma mais leve, fazer brincadeiras em situações em que elas caibam, mas hoje gostaria de falar com vocês sobre um assunto que particularmente me chama atenção: a vida profissional de um homossexual.

Grande parte das nossas leitoras deve estar construindo uma carreira, seja se preparando para vestibular, fazendo faculdade, e/ou trabalhando. Estou no último ano de Administração, atualmente disponível no mercado (entenda-se desempregada), e trabalho a apenas três anos, tendo sido duas experiências profissionais no setor público. Mas tanto na faculdade quanto nos meus empregos ninguém soube ou sabe que sou lésbica e fica às vezes me perguntando por que (?).

A resposta sincera? Ainda tenho medo das consequências sobre minha carreira, da mesma forma que muitas de vocês também devem ter. Todas nós conhecemos ou vivemos histórias em que a sexualidade foi posta à frente da competência, e o profissional homossexual acabou por perder a oportunidade - ou seria a empresa que perdeu a oportunidade de ter um profissional capacitado?

A minha ideia de assumição (neologismo?) já está bem definida: não me expor além do necessário, por convicção pessoal mesmo, mas não me esconder ou omitir em qualquer que seja a situação. Não pretendo chegar numa entrevista e disparar: "Meu nome é Loyanne, tenho 21 anos e sou lésbica". Simplesmente pelo fato de julgar desnecessário. Mas se perguntada direta ou indiretamente quero responder a verdade, que sim, sou homossexual.

Ok, isso é lindo na teoria, provavelmente é o sonho meu e de toda a torcida xinelonesa e linda do Palmeiras, mas a pergunta que me faço é: Quando me assumir homossexual profissionalmente?

Não há uma resposta global, da mesma forma que não há para a maioria das nossas dúvidas. O seu tempo, sua necessidade, ou simplesmente sua vontade de assumir não é igual à de mais ninguém. Têm profissões em que a ação de se assumir pode ser realmente muito mais "prejudicial" profissionalmente do que em outras. Da mesma forma que acredito ser mais fácil assumir quando inserido no funcionalismo público. Mas tudo isso são apenas pressupostos, e infelizmente você só terá certezas ao encarar essa experiência.

Provavelmente já devem ter ouvido por aí frases parecidas com "homossexuais tendem a ser melhores no que fazem". Sejamos realistas, sabemos que poderemos perder uma oportunidade de emprego para héteros por nos relacionarmos com pessoas do mesmo sexo que o nosso. É injusto, então o que fazer? Tentar ser o melhor profissional possível e vencer pelo alto nível de competência. Esse pensamento é quase automático, talvez não perceba, mas provavelmente o seguem.

Não tenho conselhos, mas recomendo que siga sua vida normalmente, simples assim. Se você também está construindo uma carreira, se preocupe em encontrar algo que goste de fazer, sem se preocupar tanto se é ou não uma profissão "gay", se irá ou não assumir sua orientação sexual para seu chefe e colegas. Seja o melhor que puder por você mesmo, não para provar nada a ninguém. E caso decida que vai se assumir no emprego - após pensar, analisar a situação, pensar nas contas a pagar né xinelona - então, ótimo. Certamente, nesse caso, a decisão que tomou de se assumir vai tornar sua vida mais completa e retirar o incômodo causado pela sua até então omissão.

Desejo sucesso profissional e pessoal a todas vocês, e que procurem sempre se sentirem bem acima de tudo. Se quiser propor algum tema específico, compartilhar alguma dúvida, ou até mesmo ter um texto publicado, é só enviar-nos e-mail para xineladasclub@hotmail.com.

Para curtir mais da vibe "até que enfim essas xinelonas estão falando sério" clique nos posts abaixo:

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Igualdade, por que não?


Já repararam quantas vezes discutem em sites, em jornais ou na televisão sobre a união civil de homossexuais? Na forma como somos retratados em tais reportagens? Sinceramente meninas, quando ouço algo, principalmente na televisão, eu me sinto alguém de outro mundo. Porque parece que somos diferentes, que nossos direitos como seres humanos não existem pelo simples fato de amarmos alguém do mesmo sexo que o nosso.

Fico imaginando quando é que esse nosso “mundão” vai repensar e jogar fora todos esses paradigmas arcaicos que só servem para tentar controlar a sociedade. E quando questionamos tudo isso há sempre aquele que diz que a sociedade como um todo tem que ter um exemplo, um padrão. E ai fica minha pergunta: E preconceito é exemplo?

Realmente fiquei pasma outro dia xinelonas. Fui buscar minha sobrinha na escola e ouvi suas amiguinhas falando sobre o famoso Big Brother. E o assunto principal? Lésbicas. Nunca tinha visto em toda minha vida uma criança de dez anos com tanto preconceito por homossexuais. E infelizmente não era a opinião de uma só e sim do grupinho todo. Mas no fundo fiquei pensando se era realmente elas que pensavam assim ou seus pais. E o erro infelizmente vem de cima, dos pais que não educam seus filhos. Não sabem passar adiante algo que se chama respeito ao próximo.

Essa semana a senadora Marta Suplicy, ao tomar posse, afirmou trabalhar pela aprovação de um projeto que permitiria a união civil de homossexuais. Leia a matéria na integra aqui. Mas o que vocês acham disso? De que adianta aprovar a união civil de pessoas do mesmo sexo, se as mesmas são espancadas nas avenidas das grandes cidades? Se essas são expulsas de shoppings pelo simples fato de trocarem beijo?

Não estou dizendo que não seja um grande passo para nós. Apenas mostrando que isso não é tudo meninas. Não adianta querer conquistar o topo sem antes passar pelos primeiros degraus. Ou seja, não adianta aprovar um projeto e a sociedade permanecer preconceituosa como é. Então do que precisamos? Ser exemplo. Sim, queridas xinelonas, exemplo. Não é por que somos xinelonas e sofremos preconceito da sociedade vamos procurar conquistar os nossos direitos com rebeldia e atos violentos. Como citei no inicio do post o que precisa ser mudado e será é a educação.

E falando em educação, quem tem acompanhado as noticias da semana deve ter também reparado comentários sobre o kit escolar que trata sobre a diversidade sexual. E novamente vemos um absurdo, leiam.

Enfim, xinelonas de plantão, sem mais delongas aqui fica minha indignação com a nossa sociedade. Claro, deixo bem frisado, nem todos são assim. Por sorte ainda temos pessoas que respeitam e lutam por nossas causas, até mesmo os que não são homossexuais. E por isso continuo a pensar que vamos conseguir alcançar o que realmente almejamos; direitos iguais.

E como não consigo viver sem música, principalmente as de qualidade hehe, escrevendo este post, me lembrei de uma banda, Engenheiro do Hawaii, cujo nome da música é Ninguém = Ninguém.
Ouçam aqui.

O que acham? Deixem sua opinião, o que pensam, se discordam... Enfim, comentem XD